S. Lua Dourada é o Caboclo dirigente do nosso Terreiro. E um caboclo de Ogum, que fala
muito pouco, mas quando pede silencio no Terreiro, acreditem, ele tem muito a dizer…
E ontem ele falou sobre a entrada de um filho no Terreiro.
“Quando um filho entra pra corrente de uma Casa de Axé, de um Terreiro de Umbanda, é
como se sua alma, silenciosa e sabia, pedisse a espiritualidade: “Transforma-me, trabalha
em mim, guia meus passos.”
Entrar na corrente é atravessar um portal sagrado, onde se inicia a jornada de cura e
elevação da alma. No começo, o caminho parece leve e iluminado: as mãos se entrelaçam
em afeto, as trocas são justas, e a alegria flui como água pura. Mas a caminhada espiritual
é também descoberta: os desafios surgem, as diferenças se revelam, e o fardo da alma,
que cada um carrega, pode parecer pesado.
O Terreiro e como um Hospital Espiritual, um espaço sagrado onde chegam aqueles que
carregam dores, traumas e histórias diversas.
A magia da cura não acontece de repente, nem isoladamente. Ninguém se cura sozinho.
A evolução se dá na coletividade, na persistência, no comprometimento e na sincera
entrega ao caminho espiritual. O livre-arbítrio é sagrado. Nem todos desejam ou conseguem caminhar juntos e isso também faz parte da jornada.
S. Lua Dourada não exige permanência; exige presença íntegra, honesta, correta e
esteja disposto a caminhar em unidade, porque todos os caminhos espirituais ensinam
paciência, compaixão e respeito pelo outro.
Todos os filhos da Casa necessitam de cura, do maior ao menor, incluindo
o Pai ou Mae de Santo.
Este, que não carrega apenas a mediunidade desenvolvida, mas carrega consigo a
ferramenta da liderança necessária para executar o seu trabalho:
a CORAGEM, dedicação e vulnerabilidade.
O dirigente precisa de coragem pra permanecer integro, mesmo exposto
à cobrança e julgamento da sociedade, mesmo quando lhe é negado o direito
de ser humano, de falhar e errar.
Ele também precisa de cuidado, acolhimento e olhos bondosos.
É preciso olhar para além da guia e da função: o dirigente também e filho do Terreiro,
também caminha na luz e na sombra, também necessita de compreensão.
E assim, a Casa se torna um espaço sagrado: onde cada dor encontra consolo,
cada coração aprende a caminhar junto, e cada alma, iluminada pelo Axé,
descobrindo a beleza da transformação.”
Curitiba, 15 de Agosto de 2025
Fala interpretada do Dirigente Espiritual
Caboclo Lua Dourada